sábado, 26 de maio de 2007

O vandalismo e a cidade



Transitar em Belo Horizonte, principalmente na região central, já se tornou uma espécie de vislumbre da destruição. Afora as pessoas caídas em cada esquina, compondo uma paisagem urbana, os espaços públicos encontram-se significativamente depredados. Telefones públicos quebrados, ruas sujas, ônibus transitando com seqüelas terríveis de atos imprudentes, pichações produzindo transgressões, que sequer dizem algo por si só. Parte desses comportamentos da população reflete um descaso com o espaço público, com a infra-estrutura que, bem ou mal, comporta os cidadãos.


Pode se dizer que a questão do vandalismo é uma questão unicamente social? Certamente não, pois, desconsiderar inúmeros fatores que compõem também o problema do vandalismo, como talvez algum por menor da esfera psíquica, tornaria a análise do problema social uma análise leviana. Contudo, perceber que, mesmo com a confluência de fatores, o problema da depredação do espaço público está vinculado a sociedade, e a forma com que ela estimula determinadas atitudes é decisiva para entender os comportamentos que vão na contra-mão das leis.


Podemos notar que o vandalismo traz certa insegurança para a população, e uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), mostra que uma maneira bem sucedida de combater o vandalismo é o incentivo das relações sociais e a ocupação de espaços públicos, como o incentivo ao grafite, afim de transformar pichadores em artistas de rua que fazem de sua arte uma forma de humanizar o espaço urbano. Percebemos que a arte do grafite saiu dos subúrbios e vem sendo uma fator interessante para inclusão social, mas pode se ver que não só o grafite vem desempenhando um papel de extrema importância para o combate ao vandalismo. Podemos perceber também na cultura hip hop, que passa na música e na expressão corporal. Uma relação interessante no que diz respeito à apropriação do espaço urbano é o esporte Francês Lê parkour que vem transformando locais públicos em verdadeiros obstáculos urbanos a serem transpostos pelos praticantes.


Estatísticas do IBGE(instituto brasileiro de geografia estatística), mostram a capital mineira como o quinto lugar, segundo qualidade de vida para se residir, no entanto, em contraponto a esse estudo, a capital mineira é a décima no que diz respeito a problemas domiciliares e vandalismo, tanto em locais públicos quanto em áreas residenciais. Seguindo a mesma pesquisa, o vandalismo hoje é apontado por 28% das famílias da capital mineira como o maior incômodo existente, que variam desde o uso de drogas em locais públicos às pichações em estátuas e patrimônios históricos, passando também por roubo de tampas de bueiros e fiações elétricas.


Um cuidado recorrente que devemos ter é o de não confundir vandalismo com manifestações. Ora ou outra pessoas expressam suas opiniões e desgostos, muitas vezes políticos e sociais, através de interferências no espaço público. Não estou aqui questionando se são certas ou não essas intervenções, no entanto, saber separa-las é fundamental, uma vez que o vandalismo por si só se expressa de uma maneira totalmente diferente das intervenções que buscam se manifestarem de uma forma ou de outra.




Referências


Pedro Ivo




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