
Transitar
Pode se dizer que a questão do vandalismo é uma questão unicamente social? Certamente não, pois, desconsiderar inúmeros fatores que compõem também o problema do vandalismo, como talvez algum por menor da esfera psíquica, tornaria a análise do problema social uma análise leviana. Contudo, perceber que, mesmo com a confluência de fatores, o problema da depredação do espaço público está vinculado a sociedade, e a forma com que ela estimula determinadas atitudes é decisiva para entender os comportamentos que vão na contra-mão das leis.
Podemos notar que o vandalismo traz certa insegurança para a população, e uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), mostra que uma maneira bem sucedida de combater o vandalismo é o incentivo das relações sociais e a ocupação de espaços públicos, como o incentivo ao grafite, afim de transformar pichadores em artistas de rua que fazem de sua arte uma forma de humanizar o espaço urbano. Percebemos que a arte do grafite saiu dos subúrbios e vem sendo uma fator interessante para inclusão social, mas pode se ver que não só o grafite vem desempenhando um papel de extrema importância para o combate ao vandalismo. Podemos perceber também na cultura hip hop, que passa na música e na expressão corporal. Uma relação interessante no que diz respeito à apropriação do espaço urbano é o esporte Francês Lê parkour que vem transformando locais públicos em verdadeiros obstáculos urbanos a serem transpostos pelos praticantes.
Estatísticas do IBGE(instituto brasileiro de geografia estatística), mostram a capital mineira como o quinto lugar, segundo qualidade de vida para se residir, no entanto, em contraponto a esse estudo, a capital mineira é a décima no que diz respeito a problemas domiciliares e vandalismo, tanto em locais públicos quanto em áreas residenciais. Seguindo a mesma pesquisa, o vandalismo hoje é apontado por 28% das famílias da capital mineira como o maior incômodo existente, que variam desde o uso de drogas em locais públicos às pichações em estátuas e patrimônios históricos, passando também por roubo de tampas de bueiros e fiações elétricas.
Um cuidado recorrente que devemos ter é o de não confundir vandalismo com manifestações. Ora ou outra pessoas expressam suas opiniões e desgostos, muitas vezes políticos e sociais, através de interferências no espaço público. Não estou aqui questionando se são certas ou não essas intervenções, no entanto, saber separa-las é fundamental, uma vez que o vandalismo por si só se expressa de uma maneira totalmente diferente das intervenções que buscam se manifestarem de uma forma ou de outra.
Referências
Pedro Ivo
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